terça-feira, 25 de novembro de 2008

Análise : Dead Space

Acho que a EA ganhou mais o meu respeito com esta pérola de horror que saiu há pouco tempo. Uma softhouse não vive só de "EA Sports", The Sims ou Spore, não é mesmo ? E a dita cuja fez bonito com o estreante Dead Space ao ingressar no gênero survival horror, categoria que hoje está num patamar de competição bastante acirrado, que exige competência e criatividade para se destacar.

E o game te coloca na pele do engenheiro espacial Isaac Clarke logo depois de uma breve introdução da história, que mostra uma pequena equipe a caminho do USG Ishimura, uma estação espacial que teve sua tripulação dizimada por algum tipo de espécie alienígena até então desconhecida.

Só que você e a sua equipe não estavam cientes disso. Logo, fica previsível o clichê : vocês chegam, conhecem o interior da estação e está tudo lindo, mil maravilhas. Até que os sintomas macabros começam a surgir : a energia é inexplicavelmente cortada, tudo fica escuro e todos ficam tensos, culminando, é claro, num membro da equipe sendo dilacerado diante de seus olhos pela coisa mais grotesca vista nos últimos tempos em um game de terror. Dá tempo de fugir com a equipe restante para uma espécie de cúpula e pensar no que fazer.

E é justamente neste ponto que o game mostra a que veio : dar sustos. Um por sala, pelo menos. Depois de se equipar com uma armadura toda cromada e um capacete que eu, particularmente, achei bem assustador (parece um derivado de "Jason X"), você inicia sua busca por pistas e informações sobre a carnificina gerada pela grotesca espécie alienígena que cria o ambiente hostil do game.

O visual do personagem e as minúcias do espaço sideral, nos trechos em que a nave está com as paredes desmanteladas, são colírio para os olhos. Apesar de alguns serrilhados - mesmo em 1080p -, o esforço da EA em criar uma atmosfera de medo não foi à toa. Tá tudo bem executado; os inimigos têm feições e aparências que botam medo até no Zé do Caixão. Por falar neles, até que estão bem espertinhos, viu ? Surgem do nada - sim, são absolutamente imprevisíveis e sempre fazem o jogador dar pulinhos da cadeira a cada esquina dobrada - e te perseguem impiedosamente.

Neste minuto, a jogabilidade baseada em desmembramentos dá o ar de inovação : as armas disponíveis no game disparam "estilhaços" (calma, tem arma de fogo mais tradicional também) que picotam as pernas, os braços, a cabeça ou a parte que você quiser decepar do bicho. É impossível não se lembrar de Resident Evil 4; fica claro que a EA se inspirou na franquia da Capcom para definir o esquema de mira e câmera, aquela sobre o ombro.

Aliás, a EA se inspirou em outros games consagrados para deixar Dead Space bem produzido, fator que pode servir como crítica por falta de criatividade. Os corredores macabros e a sensação de solidão, aliados ao clima claustrofóbico de estar isolado no espaço, são coisas oriundas de Doom 3. Até alguns inimigos estão parecidos com as criaturas malignas de Doom. Outro game que influenciou o roteiro de Dead Space foi Bioshock justamente por mostrar uma "raça" que foi geneticamente alterada por motivos aparentemente desconhecidos, tal qual em Bioshock. Há outras referências que só jogando para notar as semelhanças com Bio.

A qualidade sonora não fica atrás. Pra quê música ? Somente os seus passos e os grunhidos das criaturas - que podem nem estar à vista, mas estão te observando de algum lugar - são o suficiente. Às vezes tem aquele violino bem fininho, típico de momentos tensos do terror, quando algo está para acontecer. Em Dead Space, nada acontece; somente quando você não espera.

Pena que todo esse clima perfeito às vezes é quebrado por objetivos bestas que você deve cumprir. Coisas do tipo "pegar um fusível para abrir uma porta" ou "encontrar o gerador de energia e religá-lo para acessar os computadores" já estão meio batidas. E é sempre a mesma coisa : você tem que achar um cartão no corpo de um fulano que foi morto para abrir tal porta; tem que perambular pra lá e pra cá só pra achar uma pecinha de fusível, e por aí vai. Ainda assim, a história é instigante e te deixa preso até o fim para saber a razão daquela carnificina toda.

Apesar de todos os conceitos bem aplicados, Dead Space não é perfeito e deixa espaço para muuitas melhoras que poderão ser executadas numa possível continuação, como abusar mais da criatividade e corrigir aspectos que podem tornar a ação repetitiva ou chata, como esses objetivos enfadonhos o fazem.

Ainda assim, trata-se de uma ótima produção da EA, para uma softhouse estreante no gênero survival horror.

Dead Space tem roteiro consistente e condizente com a proposta principal do gênero : dar medo.
Veredicto : 8,5

2 comentários:

adonis kill disse...

achei um trailer bem legal

http://www.youtube.com/watch?v=4DmsDICPnjg

Guilherme Giuntini disse...

Dead Space é um puta jogo... mas os games não mudam.. ambos continuam no tema terror.. isso tem de mudar.. começar a fazer o game do telettubies que vai ser mais rox..

flw brands..
abraço..